Se separarmos a palavra autoestima nas duas palavras que a formam, encontraremos auto, que quer dizer “si mesmo”, e estima, que quer dizer “valor, avaliação, apreciação, apreço e afeição”. Portanto, podemos concluir que autoestima significa o valor, a avaliação, o apreço e a afeição por si mesmo.
Ao contrário do que muita gente pensa, ter uma elevada autoestima não tem nada a ver com se achar “o máximo”, perfeito e sem nenhum defeito. Quem tem uma elevada autoestima sabe que tem defeitos e qualidades, como todos os outros seres humanos. E para termos consciência de nossas qualidades e defeitos, precisamos primeiro nos conhecer. E como é que nós conhecemos a nós mesmos? Através da observação.
Vamos imaginar uma pessoa que se ache “inútil”, que “não faz nada direito”. Podemos propor a ela que se observe por alguns dias, para ver se isso é verdade mesmo. Então talvez ela perceba algumas coisas: se essa pessoa for, por exemplo, a mãe de uma criança pequena, ela pode “descobrir” que leva seu filho em todas as suas atividades (escola, cursos, passeios...), sem faltas ou atrasos. Pode “descobrir” também que, apesar da correria do dia-a-dia, consegue administrar muito bem sua casa e seu dinheiro, e que está sempre atenta às necessidades de sua família. Então ela também “descobrirá” que esta história de se achar “inútil” não passava de uma ideia sem nenhum fundamento lógico sobre si mesma...
Existem muitas pessoas ao nosso redor, talvez você mesmo(a) que esteja lendo este texto, que têm ideias falsas sobre si (“Não sou inteligente”, “Não sou capaz”, “Sou feio(a)”, “Ninguém gosta de mim”, etc.). Porém, se estas pessoas se derem a oportunidade de se observarem e se conhecerem, é bem provável que constatem que estas ideias eram apenas ideias sobre si, e não fatos. A chave da conquista de uma elevada autoestima está, portanto, na nossa capacidade de distinguir o que são ideias e o que são fatos a nosso respeito.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O que é autoestima?
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Timidez = Perfeccionismo
“Olá, Erika! (...) Tenho 32 anos e até hoje nunca consegui namorar sério. Trabalho com (...) e por isso estou sempre conhecendo homens bonitos e interessantes, mas nunca tenho coragem de mostrar para eles o quanto sou diferente das outras mulheres. Acho que sou muito insegura, fico com medo que eles me achem ridícula e precipitada e que achem que eu tenho algum problema quando souberem que eu nunca tive namorado. Sou uma mulher atraente, que não aparenta a idade que tem, tenho pós-graduação, sou culta e educada, mas mesmo assim tenho dificuldade para encontrar alguém especial, e ao mesmo tempo vejo mulheres sem tantos atributos quanto eu se dando bem! O que eu posso estar fazendo de errado? Você pode me dar algumas dicas?” R., 32 anos.
O e-mail da R. é uma ótima oportunidade para falarmos sobre algo que atrapalha qualquer tentativa de conquistar um relacionamento sério e gratificante: a timidez.
Vamos falar primeiro sobre timidez. Eu gosto de dizer que tudo aquilo que chamamos de “defeito” é, na verdade, uma qualidade que “passou da medida”. Alguns exemplos: a teimosia pode ser considerada uma firmeza de caráter exagerada, ou o egoísmo um excesso de compromisso consigo mesmo. Da mesma forma, a meu ver a timidez é uma consequência do perfeccionismo, que é o excesso de cobrança sobre si próprio e os outros pela perfeição.
Geralmente, as pessoas tímidas têm várias qualidades, mas para elas isso não é o suficiente. Elas acham que deveriam ser as melhores em tudo, que deveriam ver algo pela primeira vez e já saberem do que se trata logo de cara, que ao conhecerem alguém devem mostrar tudo que sabem, que devem ser desenvoltas, agradáveis o tempo todo e ter respostas na ponta da língua. Quanta cobrança sobre si mesmo, não? Com essa forma de perceber as coisas, não é de se espantar que pessoas que pensam assim simplesmente travem quando conhecem alguém que lhes interessa.
O que pode diminuir bastante aquilo que chamamos de timidez é perceber que ninguém é perfeito, que todo mundo erra em algo mais cedo ou mais tarde e que o mundo não vai acabar por causa disso. Geralmente o tímido tem uma visão equivocada de si e das outras pessoas, pensando que estas nunca erram e que, portanto, ele não pode errar também. Começar a perceber os pequenos e grandes erros cometidos pelas pessoas que o tímido mais admira pode ser libertador para elas, pois com isso ele aprende que também tem o direito de não ser “100%” em tudo, fazendo as pazes com a sua humanidade.
Tudo que sei sobre a R. são as coisas que ela me relatou através de seu e-mail, mas este me dá vários elementos para construir algumas hipóteses sobre o que pode estar dificultando seus planos de “namorar sério”. Há um trecho que diz: “Sou uma mulher atraente, que não aparenta a idade que tem, tenho pós-graduação, sou culta e educada, mas mesmo assim tenho dificuldade para encontrar alguém especial, e ao mesmo tempo vejo mulheres sem tantos atributos quanto eu se dando bem!”
R., pelo jeito você pensa que para se conquistar um homem e ter um relacionamento sério com ele é preciso ser uma “supermulher”: com uma beleza “de parar o trânsito”, uma educação primorosa, QI alto e ainda por cima um rostinho de menina. Ou seja, você acha que é preciso ser perfeita para se “merecer” um relacionamento sério! Como você, que pela sua mensagem indica ser uma mulher inteligente, já deve ter percebido que não é perfeita, então pensa estar em desvantagem em relação à sua capacidade de conquistar um homem. Você talvez não valorize as qualidades que tem e, por isso, pensa que os homens também a veem da mesma maneira. E esse é o maior drama do tímido, que gera muita insegurança e ansiedade – justamente duas coisas que atrapalham bastante o jogo da conquista.
Recomendo aos tímidos, portanto, que tentem relaxar. Como qualquer ser humano, vocês têm vários defeitos, mas também inúmeras qualidades – as quais quem tiver olhos para isso conseguirá enxergar. Não tentem ser perfeitos (pois esta é uma luta fadada ao fracasso), pois não é a busca pela perfeição que nos garante sucesso nas diferentes áreas da nossa vida, e sim a capacidade de não se deixar abater pelos erros que inevitavelmente cometeremos ao longo do caminho.
Quando eu estudei música, há muitos anos, tive um professor que me disse algo que tenho levado desde então para a minha vida: “O músico inevitavelmente, ao tocar uma canção ou peça, vai errar alguma nota ou o tempo dela, mas ele não pode paralisar com este erro e interromper a peça: é preciso continuar e não se deixar dominar pela sensação de fracasso. Com o tempo e muita prática, você erra menos na execução, mas sempre escapará alguma coisa. O bom músico é aquele que não se desestabiliza quando erra”.
Pois bem... Desde então tenho observado que estas sábias palavras do meu professor não se aplicam apenas à música, e sim à vida como um todo. Tímidos e tímidas: pensem em tudo isso e de agora em diante procurem encarar a vida com mais leveza, certo? Desejo a todos muita sorte e felicidade!
O e-mail da R. é uma ótima oportunidade para falarmos sobre algo que atrapalha qualquer tentativa de conquistar um relacionamento sério e gratificante: a timidez.
Vamos falar primeiro sobre timidez. Eu gosto de dizer que tudo aquilo que chamamos de “defeito” é, na verdade, uma qualidade que “passou da medida”. Alguns exemplos: a teimosia pode ser considerada uma firmeza de caráter exagerada, ou o egoísmo um excesso de compromisso consigo mesmo. Da mesma forma, a meu ver a timidez é uma consequência do perfeccionismo, que é o excesso de cobrança sobre si próprio e os outros pela perfeição.
Geralmente, as pessoas tímidas têm várias qualidades, mas para elas isso não é o suficiente. Elas acham que deveriam ser as melhores em tudo, que deveriam ver algo pela primeira vez e já saberem do que se trata logo de cara, que ao conhecerem alguém devem mostrar tudo que sabem, que devem ser desenvoltas, agradáveis o tempo todo e ter respostas na ponta da língua. Quanta cobrança sobre si mesmo, não? Com essa forma de perceber as coisas, não é de se espantar que pessoas que pensam assim simplesmente travem quando conhecem alguém que lhes interessa.
O que pode diminuir bastante aquilo que chamamos de timidez é perceber que ninguém é perfeito, que todo mundo erra em algo mais cedo ou mais tarde e que o mundo não vai acabar por causa disso. Geralmente o tímido tem uma visão equivocada de si e das outras pessoas, pensando que estas nunca erram e que, portanto, ele não pode errar também. Começar a perceber os pequenos e grandes erros cometidos pelas pessoas que o tímido mais admira pode ser libertador para elas, pois com isso ele aprende que também tem o direito de não ser “100%” em tudo, fazendo as pazes com a sua humanidade.
Tudo que sei sobre a R. são as coisas que ela me relatou através de seu e-mail, mas este me dá vários elementos para construir algumas hipóteses sobre o que pode estar dificultando seus planos de “namorar sério”. Há um trecho que diz: “Sou uma mulher atraente, que não aparenta a idade que tem, tenho pós-graduação, sou culta e educada, mas mesmo assim tenho dificuldade para encontrar alguém especial, e ao mesmo tempo vejo mulheres sem tantos atributos quanto eu se dando bem!”
R., pelo jeito você pensa que para se conquistar um homem e ter um relacionamento sério com ele é preciso ser uma “supermulher”: com uma beleza “de parar o trânsito”, uma educação primorosa, QI alto e ainda por cima um rostinho de menina. Ou seja, você acha que é preciso ser perfeita para se “merecer” um relacionamento sério! Como você, que pela sua mensagem indica ser uma mulher inteligente, já deve ter percebido que não é perfeita, então pensa estar em desvantagem em relação à sua capacidade de conquistar um homem. Você talvez não valorize as qualidades que tem e, por isso, pensa que os homens também a veem da mesma maneira. E esse é o maior drama do tímido, que gera muita insegurança e ansiedade – justamente duas coisas que atrapalham bastante o jogo da conquista.
Recomendo aos tímidos, portanto, que tentem relaxar. Como qualquer ser humano, vocês têm vários defeitos, mas também inúmeras qualidades – as quais quem tiver olhos para isso conseguirá enxergar. Não tentem ser perfeitos (pois esta é uma luta fadada ao fracasso), pois não é a busca pela perfeição que nos garante sucesso nas diferentes áreas da nossa vida, e sim a capacidade de não se deixar abater pelos erros que inevitavelmente cometeremos ao longo do caminho.
Quando eu estudei música, há muitos anos, tive um professor que me disse algo que tenho levado desde então para a minha vida: “O músico inevitavelmente, ao tocar uma canção ou peça, vai errar alguma nota ou o tempo dela, mas ele não pode paralisar com este erro e interromper a peça: é preciso continuar e não se deixar dominar pela sensação de fracasso. Com o tempo e muita prática, você erra menos na execução, mas sempre escapará alguma coisa. O bom músico é aquele que não se desestabiliza quando erra”.
Pois bem... Desde então tenho observado que estas sábias palavras do meu professor não se aplicam apenas à música, e sim à vida como um todo. Tímidos e tímidas: pensem em tudo isso e de agora em diante procurem encarar a vida com mais leveza, certo? Desejo a todos muita sorte e felicidade!
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domingo, 3 de maio de 2009
Cheque seus esquemas (Ou A "Lei da Atração" existe mesmo?)
Esquema é um conceito da Teoria do Desenvolvimento de Jean Piaget que, resumidamente, significa "tudo aquilo que é generalizável em uma ação". Por exemplo: você pode andar de diversas maneiras (rápido, devagar, descalço, com botas...), mas existe sempre uma série de procedimentos imprescindíveis para este ato: dizemos, então, que há um esquema do andar. Os esquemas podem ser motores (andar, falar, nadar, lavar a louça...) e também mentais (fazer uma conta de cabeça, interpretar dados) - e é sobre estes últimos que falarei neste artigo.
A Terapia Cognitiva (uma das modalidades de atendimento clínico em Psicologia) explorou amplamente esta questão dos esquemas, ajudando-nos a compreender, por exemplo, por que há pessoas que não conseguem alcançar seus objetivos por mais que se esforcem conscientemente para isso. Resumidamente, nossas crenças (esquemas) sobre o mundo, as coisas, as pessoas e os relacionamentos têm um papel importantíssimo na realização de nossas metas, quer estejamos conscientes delas ou não. Vamos ver alguns exemplos fictícios para que este conceito fique bem claro.
Joana veio de uma família pobre, na qual sempre as coisas foram conquistadas com bastante sacrifício - isso quando eram conquistadas. Como a situação financeira da família nunca melhorava e parecia que todo mundo ao seu redor menos ela prosperava, foram forjados na mente de Joana os seguintes esquemas: "Dinheiro não é para mim"; "Eu nunca terei dinheiro suficiente" e "Por mais que eu me esforce, eu nunca ficarei rica".
Otávio é filho de pais divorciados e passou a infância assistindo ao pai ter problemas com suas namoradas porque, segundo ele sempre dizia ao filho, "As mulheres são todas umas interesseiras". Sua mãe até conseguiu casar-se de novo, mas o relacionamento com o segundo marido era repleto de brigas, discussões e ofensas dos dois lados. Isso fez com que Otávio construísse os seguintes esquemas sobre relacionamentos amorosos: "Relacionar-se é sempre difícil e pouco compensador"; "Mulheres são interesseiras: só querem saber do seu dinheiro" e, finalmente, "É melhor eu não me apegar a ninguém para não sofrer mais tarde como vi meu pai e minha mãe sofrerem".
Coloquei estes dois exemplos para mostrar como os esquemas se formam e (dependendo do caso) se solidificam em nossa mente: através da observação dos fatos que ocorrem em nossas vidas e do conhecimento dos esquemas de referência para nós (pai, mãe, professor), vamos criando nossas teorias sobre como funcionam as coisas do mundo. Sobreviver em nossa sociedade é uma tarefa muito complexa, e é por isso que temos a necessidade de construir conceitos sobre tudo que nos cerca e, uma vez formados, armazená-los em nossa memória - já pensou como seria passar por uma certa experiência (ex: andar em uma floresta) e não reter nada dela? Certamente a espécie humana não teria evoluído tanto ao longo de sua história.
Existe uma teoria, muito popularizada pelos livros esotéricos e de autoajuda, chamada "Lei da Atração", que diz que nós "atraímos" tudo que acontece conosco. Assim, se a Joana nunca consegue ter dinheiro suficiente e o Otávio permanece infeliz em seus relacionamentos, de acordo com a Lei da Atração isso acontece porque a forma de pensar deles "atrai" todos estes acontecimentos em suas vidas.
Se a Lei da Atração existe de fato, não é um assunto para a Psicologia e a Ciência em geral. Porém, torna-se simples compreender o que de fato acontece nestes dois exemplos à luz das teorias de Piaget e da Terapia Cognitiva - e a explicação nada tem de sobrenatural.
Voltemos à Joana: se ela tem as crenças citadas acima sobre dinheiro e finanças, pode-se imaginar com quantas chances de ganhar dinheiro ela deve cruzar ao longo de sua vida mas que ela é incapaz de aproveitar porque sua percepção sobre o assunto não lhe permite isso. Talvez ela não se esforce para conseguir um emprego melhor porque "Ah, não vai dar certo mesmo...", ou se surgir em seu caminho um sorteio ou concurso ela nem concorre porque crê firmemente que não ganhará nada e que será uma perda de tempo. Nososs esquemas sobre o mundo influenciam maciçamente nossas atitudes e comportamentos nele, e é a forma com que nos aproximamos das coisas que vai determinar se vamos ter sucesso ou não.
E será que com o Otávio acontece a mesma coisa? Certamente - assim como comigo, com você e com todo mundo! Será que por crer firmemente que as mulheres nunca poderão ser verdadeiramente suas companheiras o Otávio não se sente "estranhamente" atraído por mulheres com o perfil que imagina ser de todas elas, e por outro lado não se interessa por aquelas mais maduras e aptas para um relacionamento mais gratificante? Pois bem, os psicólogos clínicos dizem que isso é o que mais acontece. Os esquemas são as formas que temos para classificar nossas percepções; se eles são predominantemente rígidos, o mundo nos parecerá rígido; se eles são em sua maioria amistosos, o mundo nos parecerá um lugar muito agradável e cheio de pessoas amáveis - e inconscientemente agiremos de acordo com estes esquemas.
E como resolver isso, quando nossos esquemas estão prejudicando certas áreas da nossa vida? É preciso, em primeiro lugar, examiná-los profundamente. Como nosso assunto principal aqui no blog é relacionamento amorosos, responda para você mesmo às seguintes perguntas:
1) O que é o amor para mim?
2) O que penso dos homens / das mulheres?
3) Eu acredito mesmo que posso ter um relacionamento duradouro e gratificante?
A partir destas perguntas básicas e de acordo com as respostas que forem surgindo na sua mente, formule outras perguntas que você julga serem importantes para uma maior compreensão de seus esquemas mais profundos sobre o amor e os relacionamentos. Assim que eles estiverem mais claros para você, faça em seguida algo que é muito importante para a superação dos esquemas que agem contra nós: submeta-os ao teste da realidade. O que é isso? É você conferir no ambiente, através da observação objetiva dos fatos, se esse esquema corresponde à sua realidade. A Joana, por exemplo, ao fazer o teste da realidade, pode constatar que seus pais tiveram dificuldades financeiras quando ela era criança porque eles tinham limitações ambientais e psicológicas que ela não tem no momento. E o Otávio pode descobrir que há várias mulheres leais e dispostas a realmente ser companheiras de seus namorados e maridos.
Depois de lerem este texto, tenho certeza de que muitas pessoas conseguirão colocar em prática sozinhas esta minha proposta, o que vai levá-las a uma nova percepção da realidade nunca antes imaginada. Porém, sei também que o mesmo não acontecerá para outras, e o que recomendo para esse segundo grupo é que procurem ajuda, de preferência profissional, para corrigir seus esquemas inadequados para a realidade em que estão no momento - os resultados certamente compensarão o esforço.
A Terapia Cognitiva (uma das modalidades de atendimento clínico em Psicologia) explorou amplamente esta questão dos esquemas, ajudando-nos a compreender, por exemplo, por que há pessoas que não conseguem alcançar seus objetivos por mais que se esforcem conscientemente para isso. Resumidamente, nossas crenças (esquemas) sobre o mundo, as coisas, as pessoas e os relacionamentos têm um papel importantíssimo na realização de nossas metas, quer estejamos conscientes delas ou não. Vamos ver alguns exemplos fictícios para que este conceito fique bem claro.
Joana veio de uma família pobre, na qual sempre as coisas foram conquistadas com bastante sacrifício - isso quando eram conquistadas. Como a situação financeira da família nunca melhorava e parecia que todo mundo ao seu redor menos ela prosperava, foram forjados na mente de Joana os seguintes esquemas: "Dinheiro não é para mim"; "Eu nunca terei dinheiro suficiente" e "Por mais que eu me esforce, eu nunca ficarei rica".
Otávio é filho de pais divorciados e passou a infância assistindo ao pai ter problemas com suas namoradas porque, segundo ele sempre dizia ao filho, "As mulheres são todas umas interesseiras". Sua mãe até conseguiu casar-se de novo, mas o relacionamento com o segundo marido era repleto de brigas, discussões e ofensas dos dois lados. Isso fez com que Otávio construísse os seguintes esquemas sobre relacionamentos amorosos: "Relacionar-se é sempre difícil e pouco compensador"; "Mulheres são interesseiras: só querem saber do seu dinheiro" e, finalmente, "É melhor eu não me apegar a ninguém para não sofrer mais tarde como vi meu pai e minha mãe sofrerem".
Coloquei estes dois exemplos para mostrar como os esquemas se formam e (dependendo do caso) se solidificam em nossa mente: através da observação dos fatos que ocorrem em nossas vidas e do conhecimento dos esquemas de referência para nós (pai, mãe, professor), vamos criando nossas teorias sobre como funcionam as coisas do mundo. Sobreviver em nossa sociedade é uma tarefa muito complexa, e é por isso que temos a necessidade de construir conceitos sobre tudo que nos cerca e, uma vez formados, armazená-los em nossa memória - já pensou como seria passar por uma certa experiência (ex: andar em uma floresta) e não reter nada dela? Certamente a espécie humana não teria evoluído tanto ao longo de sua história.
Existe uma teoria, muito popularizada pelos livros esotéricos e de autoajuda, chamada "Lei da Atração", que diz que nós "atraímos" tudo que acontece conosco. Assim, se a Joana nunca consegue ter dinheiro suficiente e o Otávio permanece infeliz em seus relacionamentos, de acordo com a Lei da Atração isso acontece porque a forma de pensar deles "atrai" todos estes acontecimentos em suas vidas.
Se a Lei da Atração existe de fato, não é um assunto para a Psicologia e a Ciência em geral. Porém, torna-se simples compreender o que de fato acontece nestes dois exemplos à luz das teorias de Piaget e da Terapia Cognitiva - e a explicação nada tem de sobrenatural.
Voltemos à Joana: se ela tem as crenças citadas acima sobre dinheiro e finanças, pode-se imaginar com quantas chances de ganhar dinheiro ela deve cruzar ao longo de sua vida mas que ela é incapaz de aproveitar porque sua percepção sobre o assunto não lhe permite isso. Talvez ela não se esforce para conseguir um emprego melhor porque "Ah, não vai dar certo mesmo...", ou se surgir em seu caminho um sorteio ou concurso ela nem concorre porque crê firmemente que não ganhará nada e que será uma perda de tempo. Nososs esquemas sobre o mundo influenciam maciçamente nossas atitudes e comportamentos nele, e é a forma com que nos aproximamos das coisas que vai determinar se vamos ter sucesso ou não.
E será que com o Otávio acontece a mesma coisa? Certamente - assim como comigo, com você e com todo mundo! Será que por crer firmemente que as mulheres nunca poderão ser verdadeiramente suas companheiras o Otávio não se sente "estranhamente" atraído por mulheres com o perfil que imagina ser de todas elas, e por outro lado não se interessa por aquelas mais maduras e aptas para um relacionamento mais gratificante? Pois bem, os psicólogos clínicos dizem que isso é o que mais acontece. Os esquemas são as formas que temos para classificar nossas percepções; se eles são predominantemente rígidos, o mundo nos parecerá rígido; se eles são em sua maioria amistosos, o mundo nos parecerá um lugar muito agradável e cheio de pessoas amáveis - e inconscientemente agiremos de acordo com estes esquemas.
E como resolver isso, quando nossos esquemas estão prejudicando certas áreas da nossa vida? É preciso, em primeiro lugar, examiná-los profundamente. Como nosso assunto principal aqui no blog é relacionamento amorosos, responda para você mesmo às seguintes perguntas:
1) O que é o amor para mim?
2) O que penso dos homens / das mulheres?
3) Eu acredito mesmo que posso ter um relacionamento duradouro e gratificante?
A partir destas perguntas básicas e de acordo com as respostas que forem surgindo na sua mente, formule outras perguntas que você julga serem importantes para uma maior compreensão de seus esquemas mais profundos sobre o amor e os relacionamentos. Assim que eles estiverem mais claros para você, faça em seguida algo que é muito importante para a superação dos esquemas que agem contra nós: submeta-os ao teste da realidade. O que é isso? É você conferir no ambiente, através da observação objetiva dos fatos, se esse esquema corresponde à sua realidade. A Joana, por exemplo, ao fazer o teste da realidade, pode constatar que seus pais tiveram dificuldades financeiras quando ela era criança porque eles tinham limitações ambientais e psicológicas que ela não tem no momento. E o Otávio pode descobrir que há várias mulheres leais e dispostas a realmente ser companheiras de seus namorados e maridos.
Depois de lerem este texto, tenho certeza de que muitas pessoas conseguirão colocar em prática sozinhas esta minha proposta, o que vai levá-las a uma nova percepção da realidade nunca antes imaginada. Porém, sei também que o mesmo não acontecerá para outras, e o que recomendo para esse segundo grupo é que procurem ajuda, de preferência profissional, para corrigir seus esquemas inadequados para a realidade em que estão no momento - os resultados certamente compensarão o esforço.
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