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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Qual é o seu estilo de amor?

Muito cedo em nossa vida amorosa nos damos conta de que as pessoas não amam do mesmo jeito. Há aqueles que manifestam seus sentimentos de maneira exuberante e explosiva; outros são mais ponderados e só começam um relacionamento depois de conhecer razoavelmente a pessoa; outros dão muito valor à atração física e ao interesse sexual e assim por diante.

Muitos pesquisadores debruçaram-se sobre o tema e na década de 1970 um deles, o antropólogo canadense John Alan Lee, elaborou uma teoria que foi amplamente divulgada e desenvolvida posteriormente por outros estudiosos do assunto. Lee fez uma analogia com os mecanismos da visão de cores no ser humano: nossos olhos possuem receptores para apenas três cores – amarelo, vermelho e azul –, porém somos capazes de perceber 8 milhões de variações de cores, graças às combinações entre as diferentes intensidades das estimulações dos três receptores presentes em nossos olhos. Da mesma forma, Lee postula que temos três estilos primários de amor - Eros, Ludos e Estorge –, e as combinações destes três estilos em diferentes intensidades gera uma grande variedade de estilos de amor. Além dos três estilos primários, há mais três estilos secundários que têm sido amplamente estudados: Mania (combinação de Eros e Ludos), Pragma (combinação de Ludos e Estorge) e Ágape (combinação de Eros e Estorge).

A seguir coloco uma breve descrição de cada um destes estilos de amor. Leia-os atentamente e veja com qual ou quais deles você mais se identifica:

Eros – dá grande importância à atração física e ao interesse sexual, e costuma apaixonar-se “à primeira vista”. É o estilo de amor mais frequente nos livros e novelas. É seguro e não muito possessivo.

Estorge – este estilo de amor costuma nascer de uma amizade e demora algum tempo para se desenvolver. Baseia-se em interesses compartilhados e nas semelhanças entre as partes envolvidas. A esfera sexual não é tão enfatizada quanto em Eros e não há a presença de uma grande paixão. O típico amor estórgico é aquele onde os dois parceiros eram amigos antes de se envolverem amorosamente.

Ludos – aqui o amor é encarado como um jogo que pode acontecer simultaneamente com diferentes parceiros, havendo ênfase na idéia de sedução e liberdade sexual. Os relacionamentos do estilo Ludos costumam ser intensos, porém de curta duração.

Mania – amor experimentado de maneira obsessiva, muito intensa, com muito ciúme e possessividade. A pessoa que tem este estilo predominante de amar experimenta uma montanha-russa de emoções oscilantes: uma hora o parceiro é tudo para ela e expressa todo este amor; em outra dirige toda a sua frustração e raiva para ela, em geral porque julgou não ter recebido a atenção que esperava do parceiro.

Pragma – amor realista e pragmático, onde há um exame muito criterioso das características dos parceiros em potencial. No estilo Pragma o atendimento das expectativas amorosas é muito importante porque dá mais segurança e uma maior certeza de sucesso no relacionamento. Estudos mostram que este estilo é mais frequente entre as mulheres.

Ágape – estilo de amor caracterizado pela ausência de egoísmo. O foco maior é na felicidade e no atendimento das necessidades do parceiro, sendo que se necessário a pessoa abre mão de seus próprios objetivos. Quem tem este estilo de amor predominante precisa tomar cuidado para não se anular no relacionamento.

Normalmente uma pessoa se identifica com dois ou mais destes estilos de amor, sendo pouco comum a ocorrência “pura” de apenas um estilo. A utilidade desta teoria de Lee está na oportunidade proporcionada por ela de refletirmos sobre o que realmente é mais importante para nós em um relacionamento. É a atração física? O companheirismo? Uma certa dose de “friozinho na barriga”? A segurança? O sentimento de ser importante para alguém?

Os estilos de amor também nos ajudam a entender melhor as diferentes formas de amar das pessoas que nos cercam e a estarmos atentos a estas características na hora de escolhermos alguém para nos relacionar. Alguns estilos combinam bem entre si, como o Estorge e o Pragma, mas outras combinações podem ser desastrosas, como Ludos e Mania. Observar atentamente o nosso estilo de amor e o dos outros, portanto, pode nos garantir relacionamentos amorosos mais gratificantes.

(Bibliografia consultada: AMÉLIO, A. (2001). O Mapa do Amor: tudo o que você queria saber sobre o amor e ninguém sabia responder. São Paulo: Editora Gente)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sexy é se importar com o outro

Na edição deste mês da Seleções do Reader’s Digest há uma matéria muito interessante, intitulada “11 dicas para apimentar a sua vida amorosa”. Além das dicas de praxe que não costumam faltar em matérias desse tipo, consta uma que é incomum e que no entanto nunca deveria ser negligenciada: “o trabalho doméstico deixa os homens mais sexies”. Segundo o psicólogo americano Joshua Coleman, “As mulheres nos disseram [nos estudos realizados] que se sentem mais atraídas pelos parceiros quando eles ajudam em casa”.

Seria este algum estranho fetiche das mulheres: ver o seu amor todo suado, varrendo de forma viril a casa, combatendo com a braveza de um soldado todo e qualquer grão de poeira que se atreva a cruzar o seu caminho?... Creio que este não seja o “X” da questão. Todo homem e toda mulher deveriam saber que uma linda e inesquecível noite de amor começa a ser delineada já na hora do café da manhã – e que o momento de lavar e guardar a louça utilizada é crucial! ;-)

Vou explicar melhor. Não amamos e queremos nos entregar inteiramente a alguém antes que este alguém nos demonstre através de palavras e atitudes o quanto somos únicos e especiais aos olhos dele(a). E como é possível demonstrar isso? Através de atos que mostrem o quanto nos importamos com a pessoa amada.

Quando um homem tem o hábito de dividir as tarefas domésticas com a mulher que ele ama, pode ser que sem ele perceber esteja lhe passando as seguintes mensagens: “Vou lhe ajudar para você não precisar fazer tudo sozinha”; “Não quero que você se canse tanto”; “Quero que esta tarefa termine logo para podermos ficar mais tempo juntos”; “Eu valorizo tudo isso que você está fazendo” e, finalmente, “Eu me importo com o seu bem-estar e quero ver você bem”. E isso deixa sua amada bem mais receptiva a ele.

Agora vamos imaginar o contrário: um homem se esquivando de ajudar sua companheira durante todo o dia, inteiramente ocupado com seus interesses pessoais, não tirando sequer um minuto para externalizar a importância desta mulher em sua vida... O que é mais provável que aconteça? Não seria nem um pouco surpreendente se paulatinamente esta mulher fosse perdendo o interesse e a atração pelo homem que um dia ela escolheu para dividir sua vida.

Relacionamentos não se sustentam com corpos atléticos, lingeries de perder o fôlego ou práticas sexuais extravagantes, e sim com união e companheirismo – estes sim os verdadeiros "afrodisíacos" em uma relação. Que esta singela porém heurística dica da Seleções sempre seja lembrada por nós em nossos relacionamentos, todos os dias.