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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O que é autoestima?

Se separarmos a palavra autoestima nas duas palavras que a formam, encontraremos auto, que quer dizer “si mesmo”, e estima, que quer dizer “valor, avaliação, apreciação, apreço e afeição”. Portanto, podemos concluir que autoestima significa o valor, a avaliação, o apreço e a afeição por si mesmo.

Ao contrário do que muita gente pensa, ter uma elevada autoestima não tem nada a ver com se achar “o máximo”, perfeito e sem nenhum defeito. Quem tem uma elevada autoestima sabe que tem defeitos e qualidades, como todos os outros seres humanos. E para termos consciência de nossas qualidades e defeitos, precisamos primeiro nos conhecer. E como é que nós conhecemos a nós mesmos? Através da observação.

Vamos imaginar uma pessoa que se ache “inútil”, que “não faz nada direito”. Podemos propor a ela que se observe por alguns dias, para ver se isso é verdade mesmo. Então talvez ela perceba algumas coisas: se essa pessoa for, por exemplo, a mãe de uma criança pequena, ela pode “descobrir” que leva seu filho em todas as suas atividades (escola, cursos, passeios...), sem faltas ou atrasos. Pode “descobrir” também que, apesar da correria do dia-a-dia, consegue administrar muito bem sua casa e seu dinheiro, e que está sempre atenta às necessidades de sua família. Então ela também “descobrirá” que esta história de se achar “inútil” não passava de uma ideia sem nenhum fundamento lógico sobre si mesma...

Existem muitas pessoas ao nosso redor, talvez você mesmo(a) que esteja lendo este texto, que têm ideias falsas sobre si (“Não sou inteligente”, “Não sou capaz”, “Sou feio(a)”, “Ninguém gosta de mim”, etc.). Porém, se estas pessoas se derem a oportunidade de se observarem e se conhecerem, é bem provável que constatem que estas ideias eram apenas ideias sobre si, e não fatos. A chave da conquista de uma elevada autoestima está, portanto, na nossa capacidade de distinguir o que são ideias e o que são fatos a nosso respeito.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Qual é o seu estilo de amor?

Muito cedo em nossa vida amorosa nos damos conta de que as pessoas não amam do mesmo jeito. Há aqueles que manifestam seus sentimentos de maneira exuberante e explosiva; outros são mais ponderados e só começam um relacionamento depois de conhecer razoavelmente a pessoa; outros dão muito valor à atração física e ao interesse sexual e assim por diante.

Muitos pesquisadores debruçaram-se sobre o tema e na década de 1970 um deles, o antropólogo canadense John Alan Lee, elaborou uma teoria que foi amplamente divulgada e desenvolvida posteriormente por outros estudiosos do assunto. Lee fez uma analogia com os mecanismos da visão de cores no ser humano: nossos olhos possuem receptores para apenas três cores – amarelo, vermelho e azul –, porém somos capazes de perceber 8 milhões de variações de cores, graças às combinações entre as diferentes intensidades das estimulações dos três receptores presentes em nossos olhos. Da mesma forma, Lee postula que temos três estilos primários de amor - Eros, Ludos e Estorge –, e as combinações destes três estilos em diferentes intensidades gera uma grande variedade de estilos de amor. Além dos três estilos primários, há mais três estilos secundários que têm sido amplamente estudados: Mania (combinação de Eros e Ludos), Pragma (combinação de Ludos e Estorge) e Ágape (combinação de Eros e Estorge).

A seguir coloco uma breve descrição de cada um destes estilos de amor. Leia-os atentamente e veja com qual ou quais deles você mais se identifica:

Eros – dá grande importância à atração física e ao interesse sexual, e costuma apaixonar-se “à primeira vista”. É o estilo de amor mais frequente nos livros e novelas. É seguro e não muito possessivo.

Estorge – este estilo de amor costuma nascer de uma amizade e demora algum tempo para se desenvolver. Baseia-se em interesses compartilhados e nas semelhanças entre as partes envolvidas. A esfera sexual não é tão enfatizada quanto em Eros e não há a presença de uma grande paixão. O típico amor estórgico é aquele onde os dois parceiros eram amigos antes de se envolverem amorosamente.

Ludos – aqui o amor é encarado como um jogo que pode acontecer simultaneamente com diferentes parceiros, havendo ênfase na idéia de sedução e liberdade sexual. Os relacionamentos do estilo Ludos costumam ser intensos, porém de curta duração.

Mania – amor experimentado de maneira obsessiva, muito intensa, com muito ciúme e possessividade. A pessoa que tem este estilo predominante de amar experimenta uma montanha-russa de emoções oscilantes: uma hora o parceiro é tudo para ela e expressa todo este amor; em outra dirige toda a sua frustração e raiva para ela, em geral porque julgou não ter recebido a atenção que esperava do parceiro.

Pragma – amor realista e pragmático, onde há um exame muito criterioso das características dos parceiros em potencial. No estilo Pragma o atendimento das expectativas amorosas é muito importante porque dá mais segurança e uma maior certeza de sucesso no relacionamento. Estudos mostram que este estilo é mais frequente entre as mulheres.

Ágape – estilo de amor caracterizado pela ausência de egoísmo. O foco maior é na felicidade e no atendimento das necessidades do parceiro, sendo que se necessário a pessoa abre mão de seus próprios objetivos. Quem tem este estilo de amor predominante precisa tomar cuidado para não se anular no relacionamento.

Normalmente uma pessoa se identifica com dois ou mais destes estilos de amor, sendo pouco comum a ocorrência “pura” de apenas um estilo. A utilidade desta teoria de Lee está na oportunidade proporcionada por ela de refletirmos sobre o que realmente é mais importante para nós em um relacionamento. É a atração física? O companheirismo? Uma certa dose de “friozinho na barriga”? A segurança? O sentimento de ser importante para alguém?

Os estilos de amor também nos ajudam a entender melhor as diferentes formas de amar das pessoas que nos cercam e a estarmos atentos a estas características na hora de escolhermos alguém para nos relacionar. Alguns estilos combinam bem entre si, como o Estorge e o Pragma, mas outras combinações podem ser desastrosas, como Ludos e Mania. Observar atentamente o nosso estilo de amor e o dos outros, portanto, pode nos garantir relacionamentos amorosos mais gratificantes.

(Bibliografia consultada: AMÉLIO, A. (2001). O Mapa do Amor: tudo o que você queria saber sobre o amor e ninguém sabia responder. São Paulo: Editora Gente)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Princípio da Equidade ou Ninguém Gosta de Sair Perdendo

Muitos de nós conhecemos alguém que é cheio(a) de exigências para com as pessoas e bem pouco tolerante com os defeitos delas: “Fulano tem que ter tal e tal característica, tem que ser assim, assim e assado, se não for assim eu não quero nem saber”, etc. Muitas destas pessoas às vezes têm uma característica marcante: pensam que é o outro ou a outra que lhe vão proporcionar a tão esperada felicidade; quando isso não acontece, o culpado invariavelmente é este outro que fica com a “obrigação” de superar seus defeitos para enfim poder fazer esta pessoa feliz.

E a pessoa em questão? Bem, para ela mesma não costuma ser necessário que mude nada em si, pois tem razão em tudo – é o outro ou a outra que tem que acompanhá-la. Não é preciso ser um especialista em relacionamentos amorosos para saber que um dos destinos mais frequentes para estes “donos da verdade” é a solidão.

Para tais pessoas, apresento-lhes um conceito importante para os estudiosos em relacionamentos: o Princípio da Equidade. Equidade tem um significado um pouco diferente de Igualdade: enquanto nesta as pessoas têm o mesmo ponto de partida (Ex: todas estudam na mesma escola, têm acesso a iguais condições de assistência médica, etc.), na equidade as pessoas têm o mesmo ponto de chegada, atingindo resultados semelhantes e conseguindo os mesmos recursos.

Vamos imaginar o universo de homens e mulheres que estão procurando um relacionamento amoroso como um grande “mercado”, onde todas estas pessoas estão em “oferta”. De acordo com o Princípio da Equidade, todos estes homens e mulheres têm um “valor” no mercado dos relacionamentos, estimado de acordo com suas características, habilidades e caráter. Inconscientemente atribuímos a nós mesmos e às outras pessoas um “valor”, e tendemos a nos sentir atraídos por pessoas com um “valor” equivalente ao que atribuímos a nós mesmos.

E uma das consequências do Princípio da Equidade é que, se quisermos atrair para nossa vida um homem ou uma mulher com características bem definidas (bonito(a), inteligente, gentil, sociável, etc.), é necessário que primeiro desenvolvamos em nós mesmos tais características ou outras que façam o outro lado sentir que “valeu a pena” investir tanto na sua evolução pessoal, pois agora tem uma pessoa igualmente evoluída ao seu lado!

Portanto, deixo uma pergunta para reflexão para os “exigentes”: o que você tem a oferecer a quem satisfizer todos os seus pré-requisitos? E uma outra para aqueles que vivem reclamando dos parceiros e das parceiras: o que você pode melhorar em si primeiro para merecer uma evolução dele(a) na mesma medida?

domingo, 3 de maio de 2009

Cheque seus esquemas (Ou A "Lei da Atração" existe mesmo?)

Esquema é um conceito da Teoria do Desenvolvimento de Jean Piaget que, resumidamente, significa "tudo aquilo que é generalizável em uma ação". Por exemplo: você pode andar de diversas maneiras (rápido, devagar, descalço, com botas...), mas existe sempre uma série de procedimentos imprescindíveis para este ato: dizemos, então, que há um esquema do andar. Os esquemas podem ser motores (andar, falar, nadar, lavar a louça...) e também mentais (fazer uma conta de cabeça, interpretar dados) - e é sobre estes últimos que falarei neste artigo.

A Terapia Cognitiva (uma das modalidades de atendimento clínico em Psicologia) explorou amplamente esta questão dos esquemas, ajudando-nos a compreender, por exemplo, por que há pessoas que não conseguem alcançar seus objetivos por mais que se esforcem conscientemente para isso. Resumidamente, nossas crenças (esquemas) sobre o mundo, as coisas, as pessoas e os relacionamentos têm um papel importantíssimo na realização de nossas metas, quer estejamos conscientes delas ou não. Vamos ver alguns exemplos fictícios para que este conceito fique bem claro.

Joana veio de uma família pobre, na qual sempre as coisas foram conquistadas com bastante sacrifício - isso quando eram conquistadas. Como a situação financeira da família nunca melhorava e parecia que todo mundo ao seu redor menos ela prosperava, foram forjados na mente de Joana os seguintes esquemas: "Dinheiro não é para mim"; "Eu nunca terei dinheiro suficiente" e "Por mais que eu me esforce, eu nunca ficarei rica".

Otávio é filho de pais divorciados e passou a infância assistindo ao pai ter problemas com suas namoradas porque, segundo ele sempre dizia ao filho, "As mulheres são todas umas interesseiras". Sua mãe até conseguiu casar-se de novo, mas o relacionamento com o segundo marido era repleto de brigas, discussões e ofensas dos dois lados. Isso fez com que Otávio construísse os seguintes esquemas sobre relacionamentos amorosos: "Relacionar-se é sempre difícil e pouco compensador"; "Mulheres são interesseiras: só querem saber do seu dinheiro" e, finalmente, "É melhor eu não me apegar a ninguém para não sofrer mais tarde como vi meu pai e minha mãe sofrerem".

Coloquei estes dois exemplos para mostrar como os esquemas se formam e (dependendo do caso) se solidificam em nossa mente: através da observação dos fatos que ocorrem em nossas vidas e do conhecimento dos esquemas de referência para nós (pai, mãe, professor), vamos criando nossas teorias sobre como funcionam as coisas do mundo. Sobreviver em nossa sociedade é uma tarefa muito complexa, e é por isso que temos a necessidade de construir conceitos sobre tudo que nos cerca e, uma vez formados, armazená-los em nossa memória - já pensou como seria passar por uma certa experiência (ex: andar em uma floresta) e não reter nada dela? Certamente a espécie humana não teria evoluído tanto ao longo de sua história.

Existe uma teoria, muito popularizada pelos livros esotéricos e de autoajuda, chamada "Lei da Atração", que diz que nós "atraímos" tudo que acontece conosco. Assim, se a Joana nunca consegue ter dinheiro suficiente e o Otávio permanece infeliz em seus relacionamentos, de acordo com a Lei da Atração isso acontece porque a forma de pensar deles "atrai" todos estes acontecimentos em suas vidas.

Se a Lei da Atração existe de fato, não é um assunto para a Psicologia e a Ciência em geral. Porém, torna-se simples compreender o que de fato acontece nestes dois exemplos à luz das teorias de Piaget e da Terapia Cognitiva - e a explicação nada tem de sobrenatural.

Voltemos à Joana: se ela tem as crenças citadas acima sobre dinheiro e finanças, pode-se imaginar com quantas chances de ganhar dinheiro ela deve cruzar ao longo de sua vida mas que ela é incapaz de aproveitar porque sua percepção sobre o assunto não lhe permite isso. Talvez ela não se esforce para conseguir um emprego melhor porque "Ah, não vai dar certo mesmo...", ou se surgir em seu caminho um sorteio ou concurso ela nem concorre porque crê firmemente que não ganhará nada e que será uma perda de tempo. Nososs esquemas sobre o mundo influenciam maciçamente nossas atitudes e comportamentos nele, e é a forma com que nos aproximamos das coisas que vai determinar se vamos ter sucesso ou não.

E será que com o Otávio acontece a mesma coisa? Certamente - assim como comigo, com você e com todo mundo! Será que por crer firmemente que as mulheres nunca poderão ser verdadeiramente suas companheiras o Otávio não se sente "estranhamente" atraído por mulheres com o perfil que imagina ser de todas elas, e por outro lado não se interessa por aquelas mais maduras e aptas para um relacionamento mais gratificante? Pois bem, os psicólogos clínicos dizem que isso é o que mais acontece. Os esquemas são as formas que temos para classificar nossas percepções; se eles são predominantemente rígidos, o mundo nos parecerá rígido; se eles são em sua maioria amistosos, o mundo nos parecerá um lugar muito agradável e cheio de pessoas amáveis - e inconscientemente agiremos de acordo com estes esquemas.

E como resolver isso, quando nossos esquemas estão prejudicando certas áreas da nossa vida? É preciso, em primeiro lugar, examiná-los profundamente. Como nosso assunto principal aqui no blog é relacionamento amorosos, responda para você mesmo às seguintes perguntas:

1) O que é o amor para mim?
2) O que penso dos homens / das mulheres?
3) Eu acredito mesmo que posso ter um relacionamento duradouro e gratificante?

A partir destas perguntas básicas e de acordo com as respostas que forem surgindo na sua mente, formule outras perguntas que você julga serem importantes para uma maior compreensão de seus esquemas mais profundos sobre o amor e os relacionamentos. Assim que eles estiverem mais claros para você, faça em seguida algo que é muito importante para a superação dos esquemas que agem contra nós: submeta-os ao teste da realidade. O que é isso? É você conferir no ambiente, através da observação objetiva dos fatos, se esse esquema corresponde à sua realidade. A Joana, por exemplo, ao fazer o teste da realidade, pode constatar que seus pais tiveram dificuldades financeiras quando ela era criança porque eles tinham limitações ambientais e psicológicas que ela não tem no momento. E o Otávio pode descobrir que há várias mulheres leais e dispostas a realmente ser companheiras de seus namorados e maridos.

Depois de lerem este texto, tenho certeza de que muitas pessoas conseguirão colocar em prática sozinhas esta minha proposta, o que vai levá-las a uma nova percepção da realidade nunca antes imaginada. Porém, sei também que o mesmo não acontecerá para outras, e o que recomendo para esse segundo grupo é que procurem ajuda, de preferência profissional, para corrigir seus esquemas inadequados para a realidade em que estão no momento - os resultados certamente compensarão o esforço.